Como amamentar? Estarei a fazê-lo da melhor forma?

  • Como amamentar?
  • Será que estou a dar de mamar da melhor forma?
  • Porque é que o meu bebé chora e rejeita a mama?
  • Porque será que o meu bebé mama tão pouco de cada vez?
  • Será que não estou produzir leite suficientemente bom para o meu bebé?
  • Será que estou a ser uma boa mãe?

Estas são algumas das perguntas mais frequentes de uma recém mãe, sobretudo se for a sua primeira vez. É natural que estas questões te surjam, bem como uma série de inseguranças e medos te passem pela cabeça pois ser mãe é uma experiência muito especial e intensa. Para além disso sentes a responsabilidade de teres a teu cargo uma vida, pelo que é natural que sintas medo até porque o medo é um sentimento que nos mantém vivos.

Assim, para começo de conversa podes ficar já descansada pois se estás com medos isso não significa que há algo de errado contigo, apenas significa que o teu sistema de sobrevivência está a funcionar.

A juntar aos teus naturais medos o mais comum será que tenhas uma série de ‘treinadores de bancada’ à tua volta sempre prontos a dizem-te o que deves fazer, bem como uma série de estatísticas e regras que tentam ditar-te qual o caminho de tu e o teu bebé devem seguir.

Com isto tudo é expectável que os teus medos e inseguranças aumentem pelo que o propósito deste artigo é em primeiro lugar tranquilizar-te e em segundo lugar dar-te algumas dicas úteis para tirares o melhor partido desta fase.

Será que é assim tão importante amamentar na primeira hora de vida?

Sabe-se hoje que durante a primeira hora de vida o bebé tende a estar muito desperto e activo, sendo que terminada essa primeira hora o seu sistema tende a entrar em stand by, pelo que de facto amamentar na primeira hora de vida é extremamente importante.

Olhando o evento pelo seu lado selvagem faz sentido que assim seja, porque afinal de contas nós também somos animais. A cria nasce, mama para receber algum colostro e indicar à progenitora “Olá! Cheguei! Já estou cá fora! Ama-me, protege-me e começa a produzir leite!” e depois destas questões de sobrevivência estarem tratadas faz todo o sentido que a cria ‘se desligue’ para tentar recuperar dum processo violentamente traumático que é o nascimento.

Nesse estado de aparente letargia é natural que a cria não esteja predisposta a comer. A questão é que os nascimentos de humanos actualmente tendem a ser actos médicos onde estão uma série de procedimentos envolvidos que fazem com que o processo natural de sair de dentro da mãe e ir de imediato para a sua mama demore algum tempo, às vezes tempo demais…

Quando o bebé suga o seio é liberada ocitocina. Esta hormona promove as contracções uterinas evitando eventuais hemorragias e estimula os dutos das mamas a liberar o colostro. O colostro é extremamente importante porque para além de ser muito rico em sais minerais, é muito rico nas boas bactérias da mãe, bem como seus anticorpos. Adicionalmente também é rico em ácido láurico, o precursor da monolaurina, uma substância produzida no corpo e que é um poderoso antiviral, antibacteriano e anti-inflamatório. Podes explorar mais este tema lendo o artigo «Se que o Leite Materno é assim tão importante ou simplesmente voltou à moda?» [ Link ]

Apesar da enorme importância do colostro, mais importante que a primeira refeição a amamentação na primeira hora de vida serve para estabelecer contacto pele com pele entre mãe e cria, familiarizar-se com o cheiro e forma do mamilo e fazer disparar uma série de produções hormonais que regulam a produção de leite e o apego. Por essa razão o ideal será que a mãe esteja despida da cintura para cima, o bebé deitado em cima do seu peito e não deverá existir qualquer tipo de pressão sobre a mãe ou o bebé para que este comece a mamar e por quanto tempo. O primeiro contacto com a mama deve ser considerado mais como uma introdução e não como uma refeição, até porque no primeiro dia o estômago do bebé é do tamanho de uma uva pelo que só consegue acmudar 5 a 7 ml de leite. [ Link

Se o bebé chora e rejeita a mama significa que há algo de errado comigo?

Não. Existem uma série de factores que podem levar o bebé a rejeitar a mama e as vezes até a mãe. As mais comuns são as seguintes:

Fase de Adaptação

Já ouviste a expressão «ninguém nasce ensinado», certo?

Existe aqui uma fase de adaptação pois há uma série de competências que o teu bebé tem de rapidamente dominar se quiser sobreviver e apesar de já nascer com os reflexos responsáveis pela amamentação, a verdade é que na barriga da mãe ele não tinha de fazer qualquer esforço para se alimentar e agora necessita esforçar-se muito para mamar.

Para um recém nascido o acto de mamar envolve uma série de adaptações que este tem de fazer, nomeadamente ao fluxo do leite, ao tamanho da mama e do mamilo, coordenar os músculos responsáveis pela sucção, degustação e respiração, tudo de uma forma harmoniosa para que não se engasgue no processo.

É importante que tenhas em mente que estamos a falar de um ser que acabou de nascer e que vinha dum local onde tudo acontecia sem qualquer esforço. Assim, tende a ser natural que muitos bebés passem por uma fase de choro e rejeição à mama simplesmente porque é a única forma que eles têm naquele momento de lidar com todas estas possíveis frustrações.

Sendo assim, é interessante interiorizares que quando to teu bebé tem uma atitude menos positiva, ele não está a rejeitar-te ou zangado contigo, o mais provável é ele estar aborrecido ou frustrado com as suas (ainda) poucas capacidades e/ou com toda a situação que está a viver.

Dor ou Desconforto 

Pode ser uma dor ainda do parto, pois para teres uma ideia o seu crânio sofre um processo de deformação para que ele consiga passar cá para fora. O ter sido espremido e puxado é algo bastante doloroso e existem dores que perduram.

Por outro lado pode ser uma cólica ou uma dor no pescoço por ter estado muito tempo na mesma posição ou por esta não ser a mais correcta. Como ele não sabe falar, a única forma que tem de se expressar é chorando e então tenta também afastar-se para não repetir o desconforto.

Entupir o bebé de leite porque achas que ele tem de comer muito para crescer, ou para ele não acordar a meio da noite com fome tende a ser uma boa estratégia para teres um filho com cólicas. Podes explorar mais sobre estratégias para evitar noites mal dormidas devido à amamentação lendo o artigo «Devem os filhos dormir com os pais?» [ Link ]

Por outro lado deves acautelar para que o teu bebé esteja o mais confortável possível quando está a mamar.

É importante que estejas atenta a estas questões e que percebas que este tipo de desafios são meramente técnicos e não têm nada a ver contigo, portanto calma, respira e lembra-te:

Está tudo bem…

Agora que já te centraste e percebeste que na realidade está tudo bem, estás mais capacitada a perceber e resolver a questão técnica que estará a acontecer.

Quantidade de Fluxo de Leite

Se a mama estiver muito cheia tende a dificultar a pega ao bebé, por outro lado se a mama estiver muito vazia a falta de leite poderá também irritá-lo.

Na vida nada é perfeito e tudo é perfeito na sua imperfeição. Assim é natural que qualquer ser humano (o teu filho incluído) se irrite sempre que se depara com uma imperfeição. Após essa irritação inicial o ser humano tende optar por uma de duas vias, ou fica eternamente a queixar-se por não ter as situações ideais ou adapta-se de uma forma ideal à situação em que está. Por norma os bebés tendem a optar por esta segunda via, razão pela qual se desenvolvem tão rápido. 😉

Assim, a minha sugestão é que relaxes, dês espaço e tempo para o teu bebé se irritar com o seu desafio e dá-lhe tempo e espaço para ele depois de se irritar se adaptar à situação.

Observa com mente de principiante e verás o grau de mestria que o teu filho tem em se adaptar e resolver os desafios que lhe surgem constantemente.

Ao te tornares mestre nessa observação irás perceber que o teu filho será provavelmente o teu maior mestre.

 

Uma das coisas que o teu bebé sabe fazer muito bem naturalmente é seguir a sua intuição, ou sexto sentido. É por isso que ele tem a capacidade de aprender tão rápido. Aproveita para relaxar e aprender com o teu bebé a regressar à tua intuição e deixar de ouvir tanto as vozes dos tais ‘treinadores de bancada’ e os teus medos, vais ver que assim corre tudo bem.

 

Esta foi a minha contribuição de hoje para a Comunidade Pais Mais Ligados, agora quero ver a tua! Aproveita este artigo para manifestares a tua opinião ou até mesmo para abrires um debate sobre o tema. Se este artigo fez sentido para ti e achares que possa ajudar alguém, por favor partilha.

Com amor,

António

Imagem: Valeria Rodrigues

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