Será que amamentar é assim tão importante, ou simplesmente voltou a estar na moda?

AVISO: Este artigo tem por base a experiência pessoal do autor e a compilação de várias opiniões e estudos sobre o tema. A decisão e responsabilidade de amamentar, bem como usar qualquer tipo de suplementação ou exposição solar cabe em primeira e última instância à própria pessoa e/ou aos seus pais. Em momento algum este artigo recomenda que tome qualquer tipo de suplementação ou exposição solar sem antes procurar o máximo de informação sobre o tema para poder tomar uma decisão informada.

No primeiro artigo desta trilogia [ Link ] contei-te que antigamente não havia Leites de Substituição e portanto a esmagadora maioria dos bebés bebia leite materno. Depois apareceram os Leites de Substituição para resolver o problema das mães que deixavam de poder amamentar. Como o potencial de negócio era incrível se o leite de substituição fosse democratizado, passados alguns anos as mães começaram a ser informadas das vantagens desses leites e amamentar passou a ser apenas uma prática das mães que não tinham condições financeiras para dar Leite de Substituição aos seus filhos.

De alguns anos para cá o Leite Materno voltou a ganhar adeptos na classe médica e esta voltou a recomendar a prática de dar de mamar como prioritária. Actualmente o leite materno voltou a estar na moda, tão na moda que os papeis se inverteram e voltou a ser chique amamentar. No entanto a questão que me coloco é:

Até quando é que amamentar irá estar na moda?

Viste então no primeiro artigo desta trilogia [ Link ] que ao olharmos apenas para os rácios percentuais de macronutrientes podemos dizer que o Leite Materno é o alimento perfeito para engordar pessoas, uma vez que é tendencialmente baixo em Vitamina D3, gordura e proteína, sendo muito rico em açúcares. Isto torna-o aparentemente desequilibrado pois a verdade é que se um adulto se alimentar de Leite Materno rapidamente tornar-se-á num obeso.

No entanto já percebemos que este aparente desequilíbrio de macronutrientes é apenas uma das coisas que o torna num alimento tão perfeito. Sugiro-te mesmo que aprofundes esta questão lendo o artigo «Será que o Leite Materno é assim tão importante, ou simplesmente voltou a estar na moda?» Link ], para perceber facilmente o porquê desse suposto desequilíbrio macronutricional.

No entanto, há uma questão que fica por responder:

Se o Leite Materno é um alimento assim tão perfeito, porque é que é pobre em Vitamina D3?

Bem, de facto a informação que temos é que a grande maioria dos Leites Maternos analisados têm muito pouca Vitamina D tendo em conta as necessidades do bebé o que pode levar a fracturas. Existem até casos nos EUA, tal como no Reino Unido de pais terem sido acusados de maus tratos devido aos seus filhos terem dado entrada nos hospitais com uma fractura, sendo que posteriormente veio a ser provado que a fractura havia resultado duma deficiência de Vitamina D.

Essa é uma das razões que faz com que nos EUA e no Canadá seja recomenda a suplementação de 400 UI de Vitamina D nas crianças. Na Europa essa recomendação varia de país para país como podes verificar aqui: [ Link ]. Apesar dessa recomendação presume-se que apenas 15% das crianças norte-americanas são suplementadas com Vitamina D. Os factores principais deste descuido por parte dos pais têm ver com preguiça, dificuldade em fazer as crianças engolir as drageias (razão pela qual actualmente a pratica mais comum ser em gotas)  e falta de informação dado que ainda existem muitos pediatras que ainda não estão sensibilizados para a real importância da Vitamina D.

A Vitamina D, que na prática é uma hormona, contribui para a boa saúde dos sistemas imunológico, ósseo, cardiovascular e muscular, além de diminuir o risco de diabetes tipo 1 e manter a pele saudável.

Crianças com bons níveis de Vitamina D tendem a ter mais massa muscular e por conseguinte mais força [ Link ]

Mulheres que estão com baixos níveis de Vitamina D durante a gestação estão mais propensas a terem bebés com autismo. [ Link ]

Deficiências de Vitamina D estão associadas ao cancro, osteoporose, hipertensão, diabetes, derrames, distúrbios psiquiátricos e doenças autoimunes. [ Link ] 

Aparentemente vemos aqui uma lacuna nutricional desse alimento que supostamente deveria ser perfeito e que a indústria dos Leites de Substituição poderá explorar, mas será que a natureza se enganou?

Será que amamentar é apenas uma moda que voltou e que daqui a uns anos irá embora novamente?

Como não temos oportunidade de discutir com Deus sobre o desenho nutricional do Leite Materno (até porque seria uma enorme complicação discutir um alimento que está em constante alteração), até há alguns anos não tínhamos uma resposta clara sobre esse assunto, mas tendo em consideração que o leite de vaca tem muito mais cálcio que o leite materno, leva-nos a crer que a natureza desenhou os leites consoante as necessidades de cada animal e ao passo que o bezerro tem a necessidade de quadruplicar o seu tamanho num curto espaço de tempo, o bebé humano tem necessidade de quadruplicar o seu cérebro.

Mas então e a Vitamina D ficou esquecida? Houve uma falha da natureza?

Aparentemente parece que sim, mas por vezes as aparências iludem e este caso é um bom exemplo disso. Se aprofundarmos a questão conseguimos perceber que a grande maioria dos Leites Maternos analisados têm muito pouca Vitamina D porque as produtoras desses leites não se suplementarm com Vitamina D.

Então isso significa que basta as mães optarem por se suplementar com Vitamina D enquanto estiverem a amamentar e o seu leite passa a ter Vitamina D suficiente para as necessidades do seu bebé?

Segundo um estudo que foi publicado no Jornal Oficial da Associação Americana de Pediatria [ Link ] que demonstra que mães que se suplementam com 6.400 UI/dia de Vitamina D ao amamentar os seus bebés, estes apresentam os mesmos níveis de Vitamina D no sangue que bebés que tomam drageias de Vitamina na ordem as 400 UI/dia. Isto significa que ao se suplementar, a mãe consegue passar a dose diária de Vitamina D ideal para o seu filho. – Se receias que 6.400 UI/dia possa trazer algum risco posso-te dizer que até agora ainda não foi observada toxicidade com o uso continuado da vitamina D3 em doses até 10.000 UI/dia, numa população adulta saudável. Existem protocolos usados em idosos onde estes ingerem 100.000 UI por dia de Vitamina D de quatro em quatro meses que se mostrou ser seguro. [ Link ]

Consegui então demonstrar-te que se a mãe se suplementar com Vitamina D consegue passar as necessidades desta vitamina ao se bebé ao amamentar.

Mas se a mãe tem de se suplementar para que isso aconteça então será que significa que não é um processo natural?

Isto não prova que o Leite Materno é naturalmente pobre em Vitamina D?

Provar não prova, mas levanta a questão.

O que prova é que essas mães conseguem ter um leite rico em Vitamina D quando se suplementam, o que significa que não é o Leite Materno que é pobre nessa vitamina mas sim a sua alimentação e sobretudo estilo de vida.

Escavando um pouco mais fundo observou-se que os leites analisados eram de ‘Mulheres do Primeiro Mundo’. Ao analisar o leite de mulheres africanas a amamentar verificou-se que o seu leite era igualmente rico em Vitamina D apesar de não se suplementarem. [ Link ]

A razão está no seu estilo de vida, muito semelhante aos nossos ancestrais que viviam em zonas equatoriais e praticamente nus.

Pois… Aquela teoria que muitas vezes ouvimos dizer que basta uma hora de sol por semana para fabricarmos a nossa Vitamina D tem muito pouco fundamento lógico, uma vez que o ser humano é um animal que foi feito para andar nu e apareceu em locais com um enorme arco solar. Isto significa que estamos desenhados para produzir toda a Vitamina D que necessitamos através da nossa pele em contacto com o Sol.

A questão é que esse ‘desenho’ foi feito para um animal que habitava locais com um arco solar elevado e andava todos os dias com todo (ou praticamente todo) o seu corpo exposto ao Sol e isto é bem diferente de viver num local com menos exposição solar, vestido (o que significa que normalmente só a cabeça e as mãos é que estão expostas ao Sol) e a passar a esmagadora maioria do tempo dentro de uma casa.

A isto temos de somar a variável da cor da pessoa, pois quanto mais escura é a pele mais Sol tem de apanhar para produzir a mesma quantidade de Vitamina D. Isto significa que uma pessoa de pele muito escura que viva num local com um arco solar pouco elevado, ou que passe muito tempo fechado em casa ou escritório terá tendencialmente níveis de Vitamina D mais baixos no sangue que uma pessoa de pele muito clara que viva no mesmo local e que apresente o mesmo estilo de vida. Isto deve-se ao facto da pessoa de pele muito clara ter um histórico de antepassados que ao viverem em zonas com um arco solar baixo fez com que de geração em geração a sua pele clareasse para conseguir absorver mais Sol para assim conseguir produzir níveis mínimos de Vitamina D.

Por outro lado a pessoa de pele muito escura tem a sua linhagem ancestral nesse local há pouco tempo (três ou quatro gerações) e esse estilo de vida de estar muito pouco exposto ao Sol terá no máximo 40 anos, o que significa que o seu corpo está preparado para ter uma maior resistência ao Sol. Tem a vantagem de ter uma menor probabilidade de contrair cancro de pele, mas uma maior dificuldade em produzir Vitamina D.

Apesar de há uns 50 anos para cá terem transformado o Sol num bicho papão, a evidencia mostra que a raça humana desenvolveu-se nas zonas com um maior arco solar e só muito mais tarde é que migrou para sítios muito menos ensolarados, o que leva a crer que a exposição ao sol (com bom senso) seja fundamental para a boa saúde humana. Aliás, tal como os fitonutrientes, os benefícios da exposição ao Sol ainda estão longe de serem todos conhecidos, sendo que começam cada vez mais a aparecerem estudos que a produção de Vitamina D é apenas a ponta do icebergue no que diz respeito às substâncias que o nosso corpo só consegue produzir quando está exposto ao Sol.

Então parece sensato que as mães que estão a amamentar devem aumentar a sua exposição ao Sol ou então suplementarem-se com Vitamina D.

Da mesma forma deveremos considerar que a criança apanhe sol diariamente. Claro que esta recomendação deve ser tomada com bom senso pois basta olhar para a natureza para perceber que não somos lagartos e sim mamíferos e estes gostam de apanhar o sol da manhã e do fim da tarde, evitando assim o sol forte.

É importante que esteja muito claro na tua mente que apesar da exposição ao Sol trazer enormes benefícios, aquela ideia de chegar à praia às 11h e sair às 17h só faz sentido para quem tenha a forte convicção que é um réptil, caso contrário é no mínimo antinatural.

Então e os bebés que não têm oportunidade de apanhar Sol? Bem, se não têm oportunidade de apanhar Sol, então as suas mães devem considerar uma dieta muito rica em alimentos e suplementos que contenham a Vitamina D3.

Isto vai entroncar na minha questão inicial:

Será que amamentar é assim tão importante, ou simplesmente voltou a estar na moda?

Eu acredito que esta ‘moda’ de voltar a amamentar irá durar ou não dependendo das escolhas nutricionais e de estilo de vida das mães, mas isso, é tema para o próximo artigo [ Link ].

Esta foi a minha contribuição de hoje para a Comunidade Pais Mais Ligados, agora quero ver a tua! Aproveita este artigo para manifestares a tua opinião ou até mesmo para abrires um debate sobre o tema. Acredito profundamente que te sirvo melhor se usar o meu tempo e energia a criar novos artigos que te ajudem a tornar numa Mãe ou Pai Mais Ligado. Por este motivo, não entrarei em debates nem poderei responder aos comentários, mas eu leio todos e ficarei muito feliz em ler o teu. Se este artigo fez sentido para ti e achares que possa ajudar alguém, por favor partilha.

Com amor,

António

Imagem: Bigstock

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3 comentários no post “Será que amamentar é assim tão importante, ou simplesmente voltou a estar na moda?

  1. Homem falando “homice”.
    Um resumo do seu texto: suplemente a vitamina D. Acrescento: amamente! Não vai dar dinheiro a indústria do leite em pó se a mãe produz o melhor leite para o filho. Se leite de humana engorda imagina o de vaca, próprio pra alimentar um bezerro.